O Osvaldo tem 68 anos. Durante 35 deles, foi gari desta cidade — o homem que passava antes de todo mundo acordar, quando a rua ainda era só dele e do barulho da vassoura.

Ele conhece cada esquina pelo nome, cada calçada torta, cada cachorro que late sempre na mesma hora. Aprendeu a cidade de um jeito que ninguém que anda de carro aprende: a pé, devagar, um metro de cada vez.

Em casa, o Osvaldo é avô do Davi. E não é do tipo que fica sentado. É o que acorda cedo, faz o café e conta as mesmas histórias de rua que o neto já sabe de cor, mas pede pra ouvir de novo.

A filha dele trabalha o dia inteiro e cresceu perto do pai. Hoje os três dividem a mesma casa e uma rotina simples, dessas que não aparecem em foto, mas seguram uma família de pé.

O Davi é a alegria da casa. Onde o avô vai, o menino quer ir junto. Já pediu mil vezes pra empurrar a vassoura, e o Osvaldo deixa — mesmo sabendo que vai ter que varrer tudo de novo depois.

Quando perguntam por que ele ainda acorda tão cedo depois de tantos anos, o Osvaldo não fala de cansaço. Fala do neto. Diz que quem tem pra quem voltar em casa não reclama do caminho.

No fim do dia, ele guarda a vassoura no mesmo canto de sempre e volta pra casa pelo trajeto que já poderia fazer de olhos fechados. O Davi costuma esperar na porta.

Esta é a história do Osvaldo: 35 anos varrendo a mesma cidade e uma vida inteira aprendendo que o que importa de verdade cabe dentro de casa.

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